Internet está cada vez mais importante nas campanhas eleitorais. E isto não parece tão óbvio

Trump recebe Bolsonaro na Casa Branca (Foto: Marky Wilson/Getty Images) 



Confesso que dá um pouco de medo falar de internet e política nos tempos atuais. Especialmente depois das eleições de 2018, onde o Presidente da República foi eleito na base de tuítes e de postagens no Facebook. Dá um pouco de medo porque tem muito especialista em redes sociais, comunicação e política por aí. De uns tempos pra cá, especialista em rede social tem se multiplicado mais que técnico da Seleção Brasileira. Todo mundo dá palpite. Alguns são relevantes e repercutem, mas, a maioria é de uma baboseira só.

A internet está para a política brasileira tão importante quanto os discursos de rádio da Era Vargas, lá nos idos de 1930. E está cada vez mais. Não importa que haja um esforço da mídia tradicional em reaver o que perdeu com o advento das redes sociais. A bagunça generalizada - cada um com um celular tem o direito de ser uma eugência de comunicação - faz com que as empresas tradicionais de mídia tomem um banho do conteúdo produzido por pequenos atores na internet. 

Pouquíssimas vezes a mídia tradicional, através de seus canais na internet, consegue fazer frente ao que pequenos jornais, pequenas rádios e indivíduos conseguem postar. A mídia tradicional, e falo aqui dos grandes conglomerados de comunicação, perde na agilidade para os pequenos. Vá lá, em pouco tempo consegue mobilizar sua estrutura de broadcasting e consegue dar a volta por cima. 

Um exemplo interessante desta corrida se dá hoje na cobertura do que acontece na vizinha Venezuela. Os sites lapatilla.com e dolartoday.com são os mais ágeis na cobertura do que acontece no país das misses. Com uma censura oficial e paraoficial, os dois sites conseguem dar furos e fazer coberturas em tempo real. Com qualidade maior do que a mídia tradicionalmente estabelecida.

Aqui no Brasil, o Presidente Jair Bolsonaro, com menos de dez segundos de propaganda na televisão e no rádio, durante a campanha eleitoral de 2018, conseguiu potencializar suas ideias e sua visão de Brasil através das redes sociais, incluindo o serviço de mensagens Whatsapp. Foi um sucesso.
E, para aqueles que dizem que Bolsonaro precisa sair do palanque (virtual) e governar, aqui vai uma constatação: Bolsonaro não saiu do palanque eletrônico e, pasmem, está, sim, governando através de tuítes e de postagens no Face. 

É.

Cito aqui matéria do site Metropoles, onde diz que o levantamento da consultoria internacional Bites coloca Jair Bolsonaro à frente de Donald Trump no volume de interações nas redes sociais. Também aponta que o Presidente brasileiro teve sua base de seguidores saindo de 22,7 milhões no dia da posse (1o. de janeiro) para 27,1 milhões no dia 10 de abril. Um crescimento de 19,% nos primeiros cem dias de governo. 

No período, Bolsonaro teve 215 milhões de curtidas em suas postagens, enquanto Donald Trumpo teve 111 milhões. 

No quesito popularidade nas redes, o Presidente brasileiro está à frente de Trump, além dos líderes  Justin Trudeau (Canadá), Narendra Modi (Índia) e Recep Erdogan (Turquia).

Assim como Trump, Bolsonaro usa as redes sociais para dar furos de reportagem, de coisas que vão ser lançadas pelo seu governo, como também critica seus opositores. 

Ou seja, governa pelas redes.

No bojo de sua potente presença nas redes, Bolsonaro tem uma bem pensada estratégia de produção de conteúdo. 

O que ele posta na rede repercute. E é essa a chave do seu sucesso.

Não basta postar. Tem que pensar, e muito, naquilo que vai ser postado. 

A internet está ainda muito presente na vida de uma campanha eleitoral e de um governo. Mas tem muita gente importante que não quer perceber isso. 

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