Três abordagens sobre Venezuela


General Ceballos, das Forças Armadas Bolivarianas. Notar ao fundo dois mercenários fazendo a segurança do militar, e um agente, provavelmente de alguma empresa europeia (Foto: Defesanet)

Nem só de petróleo vive a crise na Venezuela; militares já desconfiam de todo mundo até mesmo dentro dos quartéis; reconstrução da Venezuela poderá trazer oportunidades de negócios e crescimento para todos os países da região 


Os militares que apoiam Nicolás Maduro, o presidente da Venezuela, já não se sentem tão seguros dentro de seus próprios quarteis. Há um clima de desconfiança e traição no ar e relatos de que agentes cubanos e russos estariam por trás de um poderoso esquema de segurança para proteger Maduro e sua fiel cúpula militar. 

Estes agentes, segundo relatos dos serviços de inteligência dos Estados Unidos e da Colômbia, amplamente divulgados nos últimos três meses, estariam sendo guarda-costas e conselheiros militares do alto generalato venezuelano. No plano mais operacional, não apenas agentes cubanos estariam envolvidos na segurança de líderes militares venezuelanos, mas também agentes europeus contratos por agências de mercenários.

Um dos generais mais ligados ao chefe maior das Forças Armadas, Vladimir Padriño, o General Ceballos, divulgou uma foto em sua conta no Twitter com três homens ao fundo fazendo sua proteção. Claramente, eram agentes de fora do exército bolivariano. Muito provavelmente, os três homens eram mercenários estrangeiros contratados para fazer a segurança dos militares mais importantes do regime de Nicolás Maduro.

Em outras imagens divulgadas nos últimos, dias, mesmo em paradas militares dentro dos quarteis, Nicolás Maduro é visto ladeado por seguranças sem roupas militares. O que demonstra que o presidente Venezuelano desconfia até mesmo dos militares que marcham a seu lado.

EUA & China

Não é apenas o petróleo que está no centro da disputa pelo poder na Venezuela. O grosso óleo que sai do subsolo do país de Simon Bolívar é importante para a economia, mas a geopolítica deste lado do mundo conta muito. Os Estados Unidos não escondem o desconforto com o crescimento da influência chinesa na América do Sul e na América Central. Se fosse possível, o governo norte-americano pediria para os chineses saírem da Venezuela e também da Nicarágua - onde os asiáticos ainda mantém um projeto de construção de um canal interoceânico. 

Mas não dá para pedir isso. O negócio é ir trabalhando com o que se tem. Os chineses têm contrato para receber petróleo venezuelano por muitos e muitos anos, como pagamento por empréstimos concedidos ainda ao governo de Hugo Chávez. 

Além dos chineses, os norte-americanos também se sentem incomodados com a presença russa na venezuela. Diferentemente dos chineses, que buscam ampliação de negócios, os russos ainda trabalham dentro da lógica da nova guerra fria e de uma disputa ideológica contra o ocidente. 

Uma nova Venezuela

Com a saída de Maduro do poder e o alinhamento com os governos dos Estados Unidos, Colômbia, Brasil, Paraguai e Chile, o desafio para a Venezuela vai ser a reconstrução. E uma reconstrução que poderá se tornar o grande boom de construção civil da América Latina. São vinte anos de estagnação na Venezuela, desde 1999. Neste período bolivariano, o nível de estatização da economia chegou a percentuais entre 80% e 90%, dependendo da fonte. O incrível é que boa parte dos setores da economia que foram nacionalizados estão hoje sob o comando de generais das Forças Armadas Bolivarianas. Muito do apoio militar do qual Maduro ainda desfruta desta relação. Generais foram nomeados para comandar empresas em troca de apoio e lealdade explícitas.

A economia da Venezuela hoje está em frangalhos. O mercado negro tomou conta do fornecimento de comida, vestuário e água. Até mesmo o combustível, produto que os venezuelanos historicamente tinham como o mais barato do mundo, hoje está nas mãos de atravessadores. 

Um amplo programa de reconstrução do país deverá ser levado a cabo quando a crise envolvendo a provável saída de Nicolás Maduro do poder chegar ao fim. Serão necessários investimentos pesados em infraestrutura, energia elétrica saúde e educação, além, é claro, da modernização do parque petrolífero, que há anos sofre com a falta de manutenção. 

Para os países da região, incluindo o gigante Brasil, haverá oportunidades de negócios em todas as áreas da economia da Venezuela. É bom lembrar, aqui, que os governos petistas foram generosos com empréstimos subsidiados do BNDES para a Venezuela. Claro, o Brasil está amargando um calote de quase um bilhão de dólares da operaçõa de empréstimo feitas ao país de Hugo Chávez dentro da lógica da "Pátria Grande". 




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