Grécia abandona a utopia e retorna à direita

Kyriakos Mitsotakis votando em Atenas (Foto: Petro Giannakouris/AP)

No final de semana de 7 de julho, os eleitores da Grécia foram às urnas e elegeram - com uma maioria não vista há dez anos no parlamento - o novo governo. Os gregos colocaram de volta ao cargo de primeiro-ministro aquele que já havia ocupado a função quatro anos antes. O conservador Kyriakos Mitsotakis venceu muito bem as eleições formando a maioria no parlamento  que o deixa sem precisar fazer coligações para governar.
Mitsotakis era o primeiro-ministro em 2014 e 2015, quando a crise de crédito pegou a Grécia em cheio. Uma ampla reforma trabalhista, seguida por um rearrano previdenciário incendiaram a Grécia.

Incentivados por partidos de esquerda, os gregos tomaram as ruas em ondas de violência contra o que chamavam de "perda de direitos". O governo de Kyriakos caiu e nas eleições seguintes foi eleito Alexis Tsipras, um jovem esquerdista que prometia o fim dos anos de austeridade. 

Como parte da União Europeia e da Zona do Euro, a Grécia foi ajudada por Alemanha, França e Itália com um aporte de mais de € 80 bilhões. Muito dinheiro, mesmo para os padrões europeus. A quantia foi utilizada para dar liquidez à economia e equilibrar as contas públicas. 

Mesmo com a ajuda europeia, a Grécia não conseguiu andar. O PIB encolheu cerca de 30% nos quatro anos do governo esquerdista de Alexis Tsipras. O plano de resgate europeu previa atitudes liberalizantes no tão inchado estado grego. Coisa que o Siryza, partido de Tsipras, não conseguiu levar adiante. O resultado foi uma onda de estagnação da economia e desencanto por parte dos investidores. Desemprego e aumento da pobreza surgiram logo em seguida. 

Com a extrema-esquerda no poder, a economia grega foi ainda mais bagunçada. Com olhos reticentes para o dinheiro europeu, o governo de Tsipras mirou a China como fonte de recursos. Os chineses deitaram e rolaram. Deixaram dinheiro na Grécia, mas, em compensação, diversos ativos gregos importantes passaram para as mãos chinesas. Incluindo aí mais da metade das ações da autoridade portuária grega. 

Agora, como um jogo de equilíbrio, os gregos resolveram buscar o primeiro-ministro pré-crise para dar uma resposta ao que se transformou a Grécia. O austero, o tirador de direitos, o bicho-papão, agora é o salvador da pátria. Depois da experiência da extrema-esquerda, os gregos resolveram apostar na direita conservador para fazer o país ter sentido novamente. Há dois anos, a Grécia corria o risco de ser expulsa da União Europeia e ser proibida de usar o euro como moeda, tamanho era o seu descalabro financeiro. 

É bom falar de política grega. Foi lá que nasceu o primórdio do que hoje conhecemos como democracia. 



or Ky riakos Mitsotakis

Importante no momento em que foi instalada, no início dos anos 1980, hoje a Trensurb não tem maiatal.

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