Tipo briga de rua: foi Macron quem começou

Macron, presidente da França (Foto: AFP)


Bolsonaro foi eleito para botar o pé
na porta nacional e internacionalmente.
Contra o politicamente correto
e contra a cultura da "síndrome de Vira-Lata",
que, por muito tempo, 
imperou na diplomacia brasileira


O presidente da França, dias antes de um fórum dos sete países mais industrializados do mundo, disse que "nossa casa está queimando", ao ser referir aos incêndios florestais na Amazônia Brasileira. Emmanuel Macron, ex-banqueiro e fenômeno político europeu, não teve nenhum freio diplomático em dizer que "noutre maison est brule", mais ou menos isso. Ele se referiu à Amazônia Brasileira como sendo dele, dos franceses. Não adiantou dizer depois que ele se referia à Guiana Francesa, resquício de um passado colonial e sangrento dos franceses. 

Macron se referiu, sim, à Amazônia como sendo parte da França, ou da Europa. Tanto faz. Além disso, durante a entrevista coletiva ao final da cúpula do G7, ele confirmou que os "brasileiros mereciam um presidente melhor", referindo-se ao presidente brasileiro Jair Bolsonaro.

Aos que defendem que Bolsonaro foi sexista, machista e outros istas ao se referir à primeira-dama francesa, Brigite Macron, é bom lembrar que não foi o brasileiro que começou a briga de rua. Foi o francês, com sua petulância de líder de um país com um passado colonial. 

Bolsonaro revidou, está revidando e é assim que tem que ser. A França e a Europa como um todo não tem moral para dizer o que um país, do tamanho e a importância do Brasil, tem que fazer. De modo algum. A França tem seus problemas com seus produtores rurais, que só sobrevivem às custas de pesados subsídios pagos pelos cidadãos franceses. 
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Os franceses pagam para que seus agricultores plantem. E não se preocupa em fazer deles produtores competitivos para que lidem com as incertezas do mercado mundial. Ao contrário do Brasil, que tem um setor do agronegócio pujante, vigoroso e muito poderoso. O Brasil, caríssimos leitores, está na liderança mundial na produção de frango, de porco, de gado, de soja, milho, girassol e algodão. 

Toda essa produção vem na esteira de um setor que está se modernizando no Brasil e fazendo nosso produto interno sobreviver, apesar de toda a desindustrialização causada pelo desgoverno da era petista entre 2003 e 2016.

Os franceses não têm moral para dizer, da forma como Macron disse, o que o Brasil tem que fazer. E longe de querer verbalizar que a Amazônia precisa de um "estatuto internacional", dando a entender que a grande mata brasileira deveria ser gerida por uma governança mundial.

O Brasil é um dos líderes mundiais de produção com baixa emissão de carbono. Todos os veículos de passeio são movidos a gasolina com um percentual de 27,5% de etanol de cana na sua composição. Nossa energia elétrica vem das hidrelétricas e da crescente participação das usinas eólicas.

Já a França tem um quezinho atômico que incomoda. Eles têm a bomba nuclear. Mísseis e submarinos nucleares. Também tiram 86% da sua energia elétrica a partir da matriz nuclear. São 20 usinas nucleares em todo o país. 

Além disso, a França usou e abusou de suas possessões no Oceano Pacífico para fazer testes nucleares nas décadas de 1960, 1970, 1980 e 1990. Em relação ao cuidado com o meio ambiente, é bom lembrar aqui que em 1985 o serviço secreto francês afundou o navio Rainbow Warrior, da organização ambientalista Greenpeace. O navio estava atracado em um porto da Nova Zelândia, pronto para fazer uma ação para denunciar os testes nucleares no Atol de Mururoa, na Polinésia Francesa. Testes que duraram até o final da década de 1990.


Navio Rainbow Warrior adernado no porto de Auckland, na Nova Zelândia (Defesanet.com.br)


Na ação dos agentes franceses, um fotógrafo do Greenpeace morreu afogado. A princípio, o escândalo foi abafado pela mídia francesa. Mas, no decorrer dos dias, o próprio então ministro francês da Defesa, Charles Hernú, foi demitido. O presidente da França, à época, era o incensado François Miterrand. 

Voltando à polêmica atual, o presidente brasileiro reagiu como teria que ter reagido, no estilo pé na porta, mesmo. Bolsonaro foi eleito para parar com a "síndrome de Vira-Lata" na diplomacia brasileira. O Brasil não precisa mais baixar a crista para quem quer seja. Ainda mais quando há interesses muito domésticos. No caso, o medo que Macron tem de que seus agricultores reajam colocando bosta de vaca na Champs Eliseés, como eles gostam de fazer toda vez que sentem seus (gordos) subsídios ameaçados. 

Para terminar, é bom lembrar que o Brasil poderia ter tido uma bomba atômica. O país, no caldo de cultura política que se tornou a segunda metade da década de 1980, desistiu de fazer a sua bomba nuclear. Caso o projeto não tivesse sido abortado, hoje poderíamos ter umas quatro ou cinco ogivas nucleares. Não para sair por aí ameaçando, apenas para mostrar que não é nenhum francesinho que vai dizer o que os brasileiros têm ou não de fazer. 

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