Vai ser bom ser velho em 2050

Arlindo Lourenço de Melo (Foto: Ascom/Governo de Alagoas)


Com certeza, a maioria das pessoas que estão preocupadas com sua renda, negócio, emprego ou seja lá o que lhes dá o sustento tem preocupações com o futuro. Ou mesmo com o futuro que está acontecendo agora. Há milhares de artigos, entrevistas, reportagens, vídeos e podcasts falando sobre o tema. O assunto não se esgota. Há uma Amazônia de tanta informação sobre empregabilidade nestes novos tempos. Muita informação. No entanto, parece que grande parte das pessoas com idades entre 20 e 45 anos de idade não tem se dado conta de que o mundo mudou. E mudou para quem nasceu em 1979 ou em 1999. O jeito como as pessoas estão fazendo o seu dinheiro e se preparando para quando não puderem mais trabalhar está mudando rapidamente. Por isso é importante todos estarem preparados. 



Em 2018, o técnico especializado em conserto de máquinas de escrever alagoano Arlindo Lourenço de Melo, cuja foto abre este texto, completou 65 no ofício. Já consertou máquias de escrever de escritórios de usinas de açúcar e álcool, de jornalistas, juristas, economistas, bancos entre tantos diferentes clientes. Era procurado e bem pago pelo trabalho de reparo e manutenção de máquinas de escrever. Sempre foi um ótimo profissional. No entanto, de uns 20 anos para cá, quem o procura são donos de máquinas de escrever que as têm como objeto vintage, de hobby ou decoração.

Seu Arlindo é um exemplo de profissional que teve sucesso em um tempo. Aliás, por muito tempo as máquinas de escrever dominaram os ambientes em que a escrita fosse o centro do trabalho. Redações de jornal, escritórios de advocacia, tribunais, repartições públicas em geral, em todos os lugares havia máquinas de escrever. Por uns 70 anos, elas eram fundamentais. 

Quando os computadores pessoais encontraram os programas de edição de texto, em meados dos anos 1980, o império das máquinas de escrever teve seu destino selado. As máquinas de escrever, seu uso e seus profissionais de manutenção, como o amigo Arlindo, começaram a deixar de ser importantes.

O mundo dá um pulo de trinta e cinco anos e agora é 2020. O século XXI está completando 20 anos. Hoje é cada vez mais raro alguém ficar na mesma profissão por toda a vida. Salvo algumas profissões, como médico, engenheiro ou químico, a maioria das pessoas vai passar - ou já está passando - ou duas ou três profissões. E o que é mais interessante, dentro de alguns anos, o conceito de trabalhar até morrer vai deixar de ser negativo. As pessoas, com o auxílio cada vez maior da tecnologia, vão trabalhar até não poderem mais. E isso vai ser bom.

Claro, não dá para medir as coisas do futuro com a régua que se tem hoje. Assim como não dá para ficar julgando as coisas lá do passado com os conceitos atuais. Nos Estados Unidos, na década de 1930, quando a previdência dos americanos foi instituída como se conhece hoje, o americano médio tinha uma expectativa de vida de 53 anos. A aposentadoria na época, começava aos 62. 

Ora, se as pessoas viviam - em sua maioria - até os 53 anos, aposentar-se era um sonho distante. Quem se aposentava era um sortudo, além de ter uns 40 trabalhadores na ativa para sustentar os pagamentos mensais.

Mais um pulo de quase 90 anos. Hoje, caso alguém consiga se aposentar aos 62 anos, ainda terá mais uns trinta pela frente. Sem trabalhar e dependendo das datas de pagamento dos benefício da entidade que paga as aposentadorias (hoje é o INSS).

Isso é um pouco triste.

Agora, pensando na disseminação da tecnologia, em coisas que ainda as pessoas não imaginam que possam existir, trabalhar todo o tempo, até mesmo na velhice, não vai ser nada ruim. Haverá remédios baratos para diversos males que afligem hoje os velhos. Dores nas articulações, esquecimentos, tremores, fraqueza, falta de disposição... para tudo isso haverá tratamento muito mais eficaz e barato. 

Com isso tudo, os velhos de 2050 vão poder trabalhar, ser valorizados, ganhar seu dinheiro e ter uma vida ainda mais estendida. Com certeza, exercendo profissões que ainda nem sejam imaginadas. 

E isso é muito alegre.

Pois a imagem do velho abandonado, sem "utilidade", vai ser coisa do passado. 

Mesmo com todos os robôs e coisas automatizadas, ainda haverá muita demanda por alguém com experiência para atender, entender e encaminhar coisas. Produção em série, esteiras, carregamento de peso e outras coisas estivadoras vão ficar para as estruturas automatizadas. Outras profissões vão precisar - e muito - de gente para ocupá-las. 

Para quem está começando no mercado de trabalho agora, ficam algumas dicas. Estude e sempre fique atento às novas tecnologias e novos jeitos de fazer as coisas. Estudar é preciso, de maneira formal e informal. Também é importante poupar algum dinheiro para investir. Aprender e investir o dinheiro. São essas as chaves para uma vida longa e feliz. Sem depender tanto do estado para prover o "sustento na aposentadoria". 




Para quem gosta de música eletrônica e ficção científica, 
vale clicar no link abaixo. É a a música Droid, 
da banda de música eletrônica italiana Automat, gravada em 1978. 







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